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31 de Março de 2020

Advogado bom é Advogado rico?

Thaiza Vitoria, Consultor Jurídico
Publicado por Thaiza Vitoria
há 2 anos

No passado, bastava ser advogado para que o reconhecimento público se fizesse presente. Acontece que essa realidade vem mudando de forma exponencial, e digo, exponencial mesmo!

Desde a fundação do IAB, primeira entidade no Brasil a congregar advogados, foram 173 anos para chegarmos a marca de 1 milhão de advogados, mas levaremos menos de 15 anos para alcançarmos a métrica de 2 milhões de causídicos.

Como o Brasil é um dos países com mais advogados per capita do mundo e os novos advogados são formados em grande escala todos os anos, o valor médio dos honorários e dos salários vem caindo vertiginosamente.

Todavia, ainda assim, existe uma visão familiar que vincula competência à ostentação de riqueza, e muitos advogados se veem compelidos a manter esse status frente a seus pares e a sociedade, elevando demasiadamente suas despesas.

Essa armadilha tem levado muitos profissionais a conviverem com perigosos níveis de endividamento, questionando sua escolha profissional quase diariamente.

Imagine um jovem advogado que dificilmente adquiriu experiência profissional, mas que ainda assim, precisa ostentar sucesso financeiro e domínio técnico para parecer crível aos seus primeiros clientes...

Note que a primeira característica comum a quase todos os profissionais do direito, é o grande hiato existente entre o ingresso na faculdade e o recebimento dos primeiros honorários. São cinco anos de faculdade, mais outros tantos anos dedicados a especializações jurídicas.

Para quem inicia a carreira jurídica, ainda na faculdade, uma questão é evidente: todo o processo de formação acadêmica não é nada barato, ou seja, aliada à característica anteriormente discutida de passar muitos anos sem obter receitas, as despesas são quase insuportáveis para a maioria.

Por outro lado, todo profissional almeja ser valorizado pela sociedade, mas somente alguns são vistos como Referência em sua área de atuação. A maioria dos colegas, no desespero pela sobrevivência, não percebe que assumem práticas que só contribuem com a sua própria desvalorização.

Eu entendo que o sucesso é um conceito subjetivo. Para uns, ter sucesso significa conquistar e ostentar patrimônio. Para outros, sucesso representa prestígio e reconhecimento intelectual no meio em que atua. Há aqueles que dizem que sucesso é ter influência junto a pessoas. Os mais objetivos atribuem a ele o simples fato de fazer o que gostam e, com isso, serem felizes. De fato, nenhum deles detém a verdade absoluta e, ao mesmo tempo, todos estão convictos de suas crenças.

Mas em uma ponto podemos concordar, a percepção de valor é construída na mente de quem avalia o objeto valorado e não no objeto em si. Trazendo esse conceito para a advocacia, percebemos que o escritório de hoje se tornou um negócio, o que demanda aplicação de princípios empresariais, independentemente do seu porte ou área de atuação.

Manter um escritório competitivo exige uma equação que compreende produtividade, eficiência, visibilidade e lucratividade.

Mas, infelizmente, trabalhar muito não vai fazer nenhuma diferença quando o advogado não trabalha de forma inteligente.

E dizemos isso porque descobrimos que “vender” serviços jurídicos não tem a ver com o conhecimento de leis, mas sim com a habilidade de vender a si próprio.

Mas o que fazer quando o “nosso peixe” não está tão fresco assim?

Em outras palavras, o que fazer quando não estamos plenamente satisfeitos com os nossos resultados, nosso nível de conhecimento jurídico, nossa estrutura física, nossa imagem ou mesmo, quando estamos enfrentando problemas pessoais que nos impulsionam a desistir de tudo?

Como “vender” a si próprio, quando o que desejamos é apenas ajudar as pessoas através da advocacia, sem ter que ficar o tempo todo mendigando clientes?

Como não parecer necessitado perante um potencial cliente, e, ao mesmo tempo, ter a urgência que um fechamento de contrato requer?

Pela nossa experiência, podemos te afirmar que sem aprender algumas técnicas que te façam “parecer” sob controle, dificilmente conseguimos manter os resultados de forma constante. Isso porque somos humanos, e, portanto, vulneráveis.

Ano passado, eu, Thaiza Vitoria, fui palestrar na Fenalaw, a maior feira jurídica da América Latina, tendo perdido o meu pai há pouquíssimo tempo. Na ocasião eu estava bastante fragilizada e essa experiência me comprovou, que quando nós temos técnicas na manga, conseguimos “parecer” equilibrados, atrativos e profissionais, mesmo quando o nosso mundo está ruindo...

Eu sei que isso não parece muito autêntico ou moralmente indicado, mas quando levamos o nosso trabalho como um negócio, percebemos que nada na vida fica mais fácil, a gente é que fica mais forte.

Ninguém nos conta que de nada adianta saber as leis de cor e salteado, se não soubermos prospectar clientes ativamente, e muito mais do que aprender a redigir uma petição perfeita, eu preciso saber comunicar valor em tempos de crise, onde o mercado está amedrontado e cheio de atalhos de internet.

E se você tem interesse em aumentar a rentabilidade do seu escritório, aprendendo a desenvolver habilidades de negociação, atração de clientes, fidelização da carteira e um sistema de cobrança eficaz, então acompanhe nossas artigos e noticias de eventos gratuitos.

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18 Comentários

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Respondendo apenas à pergunta mencionada no título: "Advogado bom é Advogado rico?"

Não.

E digo mais: "nem todo advogado rico, é bom".

A ordem dos fatores neste caso, altera e muito o produto. ALGUNS advogados consagrados, arcaicos, muitas vezes advogam com o nome que tem, com o que conquistaram no passado, mas se tu for avaliar o conhecimento dele atualmente, é totalmente defasado. Profissional que não se atualiza, fica pra trás. continuar lendo

Grata pelo seu comentário, Dr. Lucas. De fato, sem atualização não existe garantia, ficam para trás. continuar lendo

Adorei o artigo e faz todo o sentido para o atual momento que vivo. Sou advogada autônoma há 5 anos, no início, "desesperada" pela minha sobrevivência, assumi atitudes que arruinaram a minha carreira.
A culpa foi totalmente minha, pois sem estratégia e necessitando de clientes, passei a aceitar todo trabalho que me aparecia.
Conclusão: cheguei a exaustão de tanto trabalho, mas todos os meses em grande dificuldade para fechar as contas. As contas não fechavam de jeito nenhum e os processos em andamento já há anos, me tomando grande parte do tempo. Não tinha dinheiro para contratar ninguém para me ajudar ao mesmo tempo que necessitava cada vez mais de clientes e processos para sobreviver.
Virou uma bola de neve, muitos processos que eu me arrependi de ter iniciado ou me arrependi do baixo valor cobrado, mas eu precisava sobreviver.
A situação ficou tão delicada, que passei a ter implicância com o meu trabalho, de modo que hoje estou iniciando um empreendimento em outra área e pretendo me afastar da advocacia.
Mas não tenho a menor dúvida de que eu fui a única culpada. Se eu pudesse dizer algo para quem está começando é: tenha estratégia e não aceite qualquer trabalho por qualquer valor, o preço é alto demais.
Abraço. continuar lendo

Sabes que me vi em tuas palavras? Quando comecei a advogar, agi como você e fatalmente não deu certo. Me vi obrigada a trabalhar como advogada empregada (o que foi ótimo!) e há 3 anos voltei a ser autônoma, mais madura e com outra forma de ver a coisa toda.
Advogo há 16 anos e já conquistei muitas coisas boas (mas longe da riqueza tão almejada por tantos). Ocorre que durmo com a consciência tranquila, pois sei a ótima profissional que sou e o excelente trabalho que faço.
Por opção também comecei a atuar em outras frentes (venda de produtos de beleza), e consigo conciliar as duas coisas. Até porque os advogados geralmente só resolvem "pepinos" e trabalham com uma carga bem pesada.
Já ajudar as pessoas a se empoderarem (no caso dos cosméticos) me dá um prazer enorme, aí vou contrabalançando.
Boa sorte no teu novo empreendimento! continuar lendo

Meus parabéns caríssima! Bendito nome Vitória!!! O Brasil e o mundo estão extremamente carentes de pessoas com esse perfil. continuar lendo

Gratidão, Dr. Antônio. É uma honra tê-lo pro aqui! continuar lendo

... Eu sei que isso não parece muito autêntico ou moralmente indicado, mas quando levamos o nosso trabalho como um negócio, percebemos que nada na vida fica mais fácil, a gente é que fica mais forte....

Issooooo!
Obrigada pelas dicas! continuar lendo