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22 de Agosto de 2019

Advogados Espertalhões

Thaiza Vitoria, Consultor Jurídico
Publicado por Thaiza Vitoria
há 5 anos

Advogados Espertalhes

Em matéria veiculada na edição de 25/01/2015, no programa Fantástico, que tratou de casos pontuais de cobrança de honorários “ditos exorbitantes”, iniciou-se o discurso, temperado com uma trilha sonora bem peculiar:

A reportagem especial do Fantástico conta a TRISTE HISTÓRIA de trabalhadores rurais, GENTE MUITO HUMILDE, que ESPEROU meses, até ANOS, para receber a aposentadoria a que tinha direito”.

Só que nessa espera eles foram enganados por ADVOGADOS ESPERTALHÕES.

Vários desses advogados JÁ FORAM CONDENADOS, outros, acusados por tirar proveito da falta de informação dessas pessoas para FICAR com o dinheiro delas, SEM NENHUMA VERGONHA.

Advogados previdenciaristas normalmente utilizam a tabela de honorários da OAB, o que definitivamente não promove sua saúde financeira.

Em todos os segmentos, encontramos bons e maus, mas a generalização é a mãe das desgraças!

Nenhuma ação judicial é de menor complexidade, todas demandam horas faturáveis, pois em ultima análise, advogados precisam viver dignamente do fruto do seu trabalho...

Sem me aprofundar nas questões políticas, econômicas e sociais, percebi na estrutura da matéria, uma dramatização que desfavoreceu a toda classe dos advogados. Cortes estratégicos, trilha sonora de lamento, gatilhos mentais de indução hipnótica e ferramentas de linguagem cuidadosamente selecionadas para construção de uma imagem maculada.

Em nenhum momento houve uso da razoabilidade ou ponderação na estrutura do discurso. A ideia estava muito clara:

ADVOGADOS "SÃO" ESPERTALHÕES X CLIENTES "SÃO" LESADOS

A reportagem especial do Fantástico conta a TRISTE HISTÓRIA de trabalhadores rurais, GENTE MUITO HUMILDE, que ESPEROU meses, até anos, para receber a aposentadoria a que tinha direito.

Triste SIM, pessoas humildes SIM, mas que NUNCA poderiam exercer os direitos citados na matéria, sem o patrocínio de um Advogado.

Esse grupo que esperou meses, até anos pela entrega seu direito, não esperou sozinho.

Em sua árdua companhia, estavam os doutores ESPERTALHÕES, que gastaram 60% do seu tempo de trabalho na análise, pesquisa e confecção de peças relativas aos processos em razão de mais de 300 mudanças diárias das Leis e Jurisprudências.

Com as informações nas mãos, esses espertalhões chegaram à parte mais difícil, confeccionar a peça processual. Essa é a etapa que consome a maior parte do dia (30%) desses salafrários.

Ainda, 17% do dia desses malfeitores foi gasto em tribunais e 11%, em cartórios. O restante da carga de trabalho foi destinado a visitas (7%) e prospecção de tristes clientes (8%). (Fonte: IOB)

Lembro-me de um artigo que escrevi recentemente aqui no JusBrasil, falando sobre clientes inadimplentes, onde o criminalista Welton Roberto, não diz o nome do devedor, “por uma questão de ética”, mas o débito nunca foi quitado (e vai crescendo).

O advogado tentou cobrar, só que o personagem começou a se mostrar ‘incomodado’. Desistiu: “Minha vida vale mais do que isso”.

Não me lembro de ter assistido uma reportagem em toda minha existência, ao som de uma trilha sonora fúnebre, com adjetivos apelativos para pobres advogados enganados por clientes espertalhões.

De onde vem esse desajuste social?

Outra questão importante com relação ao tema ajuste de honorários é a desproporção entre as ferramentas disponíveis ao cliente para cobrar o advogado.

Em outras palavras, se o advogado “usurpa” o cliente, a OAB, vias administrativas e judiciais contribuem para que a justiça seja feita ao lesado.

Aos advogados, restam apenas vias tradicionais, o que demonstra o desequilíbrio dessa relação.

Ainda existem muitos paradigmas sociais equivocados em relação aos advogados, esse é apenas mais um.

Denúncias sobre eventuais desvios de conduta ética são apuradas pelo TED, assegurado o direito de defesa e, constatada a violação, tem-se a aplicação da medida adequada. Não podemos admitir que divulgação de denúncias pontuais acabem denegrindo ainda mais a classe dos advogados.

A OAB já se posicionou em nota pública, combatendo esse desajuste:

Nota Pública

Diante da veiculação da matéria "Advogados cobram valores abusivos para defender aposentados", no "Fantástico", edição de 25/01/2015, o Colégio de Presidentes da OAB esclarece que são casos isolados e que a maioria absoluta dos advogados previdenciários atua de forma ética, honesta, buscando o justo equilíbrio na cobrança dos honorários pactuados com os clientes.

Enfatizamos que a OAB Nacional e as Seccionais estaduais da Ordem defendem uma rigorosa e profunda investigação, para a punição dos profissionais e eventualmente envolvidos. A ética é fundamental para a valorização da advocacia. Ressaltamos que atitudes como as retratadas na matéria são praticadas por uma minoria de profissionais, sendo a quase totalidade da classe composta por honrados e dignos advogados.

É missão do advogado defender os direitos do jurisdicionado e dar materialidade à cidadania, com elaboração das peças processuais e diligências necessárias no acompanhamento das ações, ao longo dos anos. A fixação da verba honorária deve ser pactuada por um contrato privado entre as partes e remunerar condignamente o trabalho do advogado. Não deve ser fixada aquém da razoabilidade ou do mínimo legal; nem ser abusiva.

Afirmamos que a cobrança de honorários, em todas as áreas da advocacia, tem seus limites definidos no Código de Ética e sua infração se traduz em falta disciplinar, que deve ser comunicada a Ordem, para que as providências disciplinares possam ser adotadas.

Reafirmamos nossa mais integral confiança na advocacia brasileira, séria, ética e comprometida com os valores da cidadania, ao tempo em que, como todos, condenamos aqueles que não seguem os preceitos éticos que nos conformam.

OAB Nacional

Colégio de Presidentes da OAB

Vídeo na íntegra: http://g1.globo.com/fantastico/noticia/2015/01/advogados-são-acusados-de-dar-golpe-em-aposentados-ru...

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71 Comentários

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Muitos vão ser advogados, engenheiros, médicos, arquitetos, enfim, abraçam qualquer profissão com os defeitos e virtudes que carregam. O indivíduo traz consigo os valores internalizados ao longo da sua vida e um dia vira advogado. O comportamento ético depende do que fizeram com ele até virar advogado. Acredito que funciona assim nas outras profissões. As denúncias devem ser apuradas e se constatados abusos devem ser repelidos. As ações dos advogados devem ser no sentido de honrar a classe, jamais o contrário. O sujeito não é ético porque é advogado. O advogado ético surge a partir de um sujeito ético. continuar lendo

Excelente, Nilson. Concordo com seus dizeres. continuar lendo

Concordo plenamente, muito coerente as palavras do Nilson. continuar lendo

Médicos na Máfia das Próteses, médicos que batem ponto e vão pra casa, advogados que superfaturam serviços,... É notório que a corrupção está no ser-humano e não especificamente em políticos. continuar lendo

Com relaçao à essa matéria publicada, ontem, 25/01/2015, no Fantástico, creio ensejar providências imediatas, no sentido, não só, da aplicação de sanção a todos os envolvidos, mas, sobretudo, da devolução dos montantes surrupiados a quem de direito! continuar lendo

Gostaria de fazer um contraponto nada confortável, pois é muito mais fácil se deixar levar pela emoção ser solidários àquelas pessoas humildes. Isso não é uma defesa àqueles advogados, mas uma crítica ao Estado em que vivemos. Um Estado corrupto, ineficiente, ineficaz, que sobrecarrega aos que trabalham, que retira o mérito dos que merecem e os entrega aos que nada fizeram para recebe-los, que estabelece critério de raça, cor, classe social.
Não importa quanto os advogados cobraram, desde que o tenha feito com lealdade (sinceridade e honestidade), o que importa é que o Estado é ineficiente e jamais fará justiça ao cidadão. Não importa quão grande seja a estrutura do Estado, o fato é que quanto maior for a estrutura, maior será a ineficiência e menor será a eficácia.
Aquelas pessoas que conseguiram suas aposentadorias, provavelmente, jamais iriam consegui-las se não fosse o interesse, ainda que exclusivamente econômico, daqueles advogados! Portanto, abençoados advogados.
Como diria Adam Smith, em "A Riqueza das Nações": “Não é da bondade do açougueiro ou do padeiro que podemos esperar nosso jantar, e sim de seu interesse"
Acho que a reportagem e todos os cidadãos que trabalham deveriam voltar-se contra o Estado ineficiente e injusto. O Estado gastador que desperdiça dinheiro subsidiando combustíveis e usineiros e deixa de acolher os mais as pessoas que trabalham e merecem recompensa, que auxilia os vagabundos e penaliza quem trabalha.
Sabe quando a maioria daquelas pessoas iriam conseguir suas aposentadorias sem a atuação interesseira daqueles advogados? Nunca!
Portanto esse sensacionalismo oportunista e barato, simpático a muitos deveria ser repensado. Por que a Globo não mostra as injustiça do Estado em fiscalizar e cumprir as leis? Reparem que o INSS tinha negado a aposentadoria para uma daquelas pessoas. Por que não mostra a ineficiência do INSS que deveria aposentar aquelas pessoas de ofício? Se i INSS cumprisse seu papel as pessoas não precisariam procurar por aqueles advogados! continuar lendo

A reportagem foi bastante apelativa, como é usual e quase tudo o que vem do fantástico e o próprio nome já diz tudo. Acho muito injusto rotular uma classe que sofre tanto pela valorização por conta de casos que não sei se são isolados, mas não são a regra. Por outro lado, uma vez que o estrago foi feito, também não podemos vestir de anjos as pessoas que exploram a humildade alheia. Todos sabemos que é preciso dedicação, estudo e tempo para uma causa, mas isso não justifica sequer um contrato de 50% de honorários. E também não justifica que o cliente não fique sabendo que houve pagamento. Esqueçamos a música, os pobrezinhos e foquemos neste tipo de profissional, que mancha a nossa classe e não são santos. Acho que não é preciso bafafá, mas também não podemos fingir que isso não é grave porque também tempos problemas com clientes. continuar lendo

A Globo é um câncer difícil de se extirpado!!! continuar lendo

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